sexta-feira, 5 de abril de 2013




FRAGMENTOS

Deslizam pelo teto lagartixas.
Estão robustas.
Deslizam meus olhos nas frestas, nas arestas.
Estou descansando neste local.
Eu vim de uma longa viagem.
Descanso. Paro neste remanso.
A casa velha me convida a ficar.
As lagartixas correm pra outro lugar.
Fogem desta tola que gosta de tudo admirar.
Estou largada neste sofá.
Tão cansada hoje.
Tão cansada.
Sei que livros me esperam a vinte passos.
E a trinta existe um licor.
Tão velho, Deus!
Deve estar deteriorado.
O que faço aqui?
As vidraças, as portas... em tudo existe um cansaço.
É o cansaço do passado.

São tudo fragmentos que armazenei ao correr dos tempos...
Fui, sou, serei... sendo...
Vou sair daqui correndo.
Antes que eu seja contaminada pelo imenso nada.

sonia delsin 

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