COPOS
DE CRISTAL
Eles
brilham na cristaleira antiga.
Possuem
o brilho das coisas eternas.
Na
poltrona de canto eu descanso os olhos nos copos de cristal.
Viajo.
Sim.
Vou pro tempo que mais desejo estar e que devia evitar.
Lá
quando chego me recebem duas lindas raparigas e um senhor em idade avançada.
Me
recebem com abraços e beijos.
Mal
entro na sala vejo o lustre... dependuradas as gotas de cristal.
Vejo
um quadro, um castiçal.
Que
significa este viajar?
O
homem do quadro parece me sorrir enigmaticamente.
Ele
tem olhos escuros. Muito escuros, um rosto oval, usa o cabelo repartido de
lado.
Nos
olhos dele tem um segredo guardado.
Paro
diante do quadro e lágrimas querem correr dos meus olhos.
Ando
um pouco. Olho pela janela.
Terras
e mais terras.
Um
ipê florido.
No
varal dependurado um vestido.
Balança
com o vento e me perco em pensamento.
Que
lugar é esse, meu Deus?
Por
que aqui tenho que estar sempre voltando?
E
mal vou chegando quero chorar.
O
que ficou aqui guardado?
Por
que não pode ser desvendado?
Nomes,
datas, risos, lágrimas...
Que
lugar é esse? Me pertence ou eu pertenço a ele?
Quero
correr e os pés ficam no chão plantados.
O
homem do quadro parece me chamar.
Preciso
olhar.
Mas
não, não!
Dói
o meu coração.
Como
dói estar aqui!
Uma
brisa vem me despertar.
Estive
sonhando enquanto olhava os copos de cristal.
A
sala onde me sento pertence ao agora.
As
lembranças é que são de outrora.
Não
podem machucar mais...
Não
podem simplesmente, porque não existem.
Só
nas lembranças elas resistem.
sonia delsin

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