quinta-feira, 4 de abril de 2013




COPOS DE CRISTAL

Eles brilham na cristaleira antiga.
Possuem o brilho das coisas eternas.
Na poltrona de canto eu descanso os olhos nos copos de cristal.
Viajo.
Sim. Vou pro tempo que mais desejo estar e que devia evitar.
Lá quando chego me recebem duas lindas raparigas e um senhor em idade avançada.
Me recebem com abraços e beijos.
Mal entro na sala vejo o lustre... dependuradas as gotas de cristal.
Vejo um quadro, um castiçal.
Que significa este viajar?
O homem do quadro parece me sorrir enigmaticamente.
Ele tem olhos escuros. Muito escuros, um rosto oval, usa o cabelo repartido de lado.
Nos olhos dele tem um segredo guardado.
Paro diante do quadro e lágrimas querem correr dos meus olhos.
Ando um pouco. Olho pela janela.
Terras e mais terras.
Um ipê florido.
No varal dependurado um vestido.
Balança com o vento e me perco em pensamento.
Que lugar é esse, meu Deus?
Por que aqui tenho que estar sempre voltando?
E mal vou chegando quero chorar.
O que ficou aqui guardado?
Por que não pode ser desvendado?
Nomes, datas, risos, lágrimas...
Que lugar é esse? Me pertence ou eu pertenço a ele?
Quero correr e os pés ficam no chão plantados.
O homem do quadro parece me chamar.
Preciso olhar.
Mas não, não!
Dói o meu coração.
Como dói estar aqui!
Uma brisa vem me despertar.
Estive sonhando enquanto olhava os copos de cristal.
A sala onde me sento pertence ao agora.
As lembranças é que são de outrora.
Não podem machucar mais...
Não podem simplesmente, porque não existem.
Só nas lembranças elas resistem.

sonia delsin 

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